terça-feira, 23 de agosto de 2011

A esmola e o belo

Com sabedoria afirma São João: “Se alguém que possua bens deste mundo vir o seu irmão em necessidade e lhe fechar seu coração, como estará nele o Amor de Deus?” (I Jo 3, 17). Não faz o Discípulo Amado senão eco aos ensinamentos do Mestre. Sim, dar esmola é um preceito, e não mero conselho, como encontramos clarissimamente exposto por Jesus, no Evangelho de São Mateus (25, 31-46). Ou seja, vai-se para o fogo eterno pelo fato de se negar o supérfluo a quem realmente necessite. Cada um de nós deve atender às próprias necessidades, assim como às daqueles que estão debaixo de nossa responsabilidade, segundo suas respectivas condições e categoria social. Feito isto, deverá ser retirado das sobras, para dar aos pobres.
Ora, se alguém padece extrema necessidade e não pode ser socorrido de nenhuma outra maneira, o ajudá-lo é um preceito obrigatório para nós. Em diferentes condições, a esmola deixa de ser preceito e tornas-e um conselho.
À primeira vista, pareceria ser a esmola corporal superior à espiritual. Antes de mais nada, porque o corpo tem necessidades mais prementes do que a alma. Por outro lado, ao pobre às vezes agrada mais o receber um auxílio material do que espiritual; e do próprio doador, com maior mérito para ele, parece exigir-se mais virtude na concessão de bens físicos.
Estes são precisamente os erros refutados por São Tomas de Aquino na Suma Teológica: “Agostinho, àquilo do Evangelho — Dá a quem te pede — diz: ‘Deves dar o que não prejudique nem a ti nem a outrem; e quando negares a quem te pede, deves revelar a justiça do teu ato, para não o despedires vazio; e às vezes darás melhor quando corrigires a quem te pede injustamente’. Ora, a correção é esmola espiritual, logo, as esmolas espirituais devem ser preferidas às corpóreas” (II-II, q 32, a 2).
Explica o Doutor Angélico que, absolutamente falando, “as esmolas espirituais têm preeminência por três razões. Primeiro, por ser mais nobre o seu dom, a saber, o espiritual que tem preeminência sobre o corpóreo (...). Segundo, por causa da natureza do ser ao qual socorremos, pois o espírito é mais nobre do que o corpo. Por onde, assim como devemos cuidar mais do nosso espírito do que do nosso corpo, o mesmo devemos fazer para com o próximo, a quem devemos amar como a nós mesmos. Terceiro, quanto aos atos mesmos pelos quais socorremos ao próximo, por serem os atos espirituais mais nobres que os corpóreos, os quais são, de certo modo, servis” (ibidem).
Portanto, oferecer a Verdade ou a Bondade é um preceito que também nos obriga, em face das almas desamparadas e prestes a entrarem na agonia espiritual por ausência do socorro da Palavra e do exemplo. Ora, ensina a Escolástica ser o Belo, o esplendor da Verdade, o esplendor da Bondade. Por isso, levar o Belo aos mais carentes é não só obra de misericórdia superior, mas até mesmo um preceito para todos os que possam fazê-lo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Saudade e assunção

No Céu, em meio à felicidade suprema, aguardam todas as almas fiéis e amantes de Deus, o grande dia da Ressurreição, a fim de recuperarem seus corpos, dos quais a morte as separou como um dos trágicos efeitos do Pecado Original. O próprio Jesus quis passar por esse transe, a fim de realizar a Redenção através do sofrimento perfeito.
Maria Santíssima, por ser Co-redentora, teria experimentado as dores do falecimento? A esse respeito assim se expressou o nosso saudoso Papa, João Paulo II: “Esse final da vida que para todos os homens é a morte, no caso de Maria, a Tradição mais bem o chama de Dormição” (Homilia de 15/8/1979, em Castelgandolfo).
Morte ou Dormição, a Santíssima Virgem terá passado para a eternidade com santa sofreguidão, em busca de seu Divino Filho, pois ambos haviam vivido na mais perfeita harmonia e relacionamento familiar ao longo de trinta anos, nesta terra. Compreenderemos melhor a força da união estabelecida entre ambos, ao longo daquelas três décadas de vida oculta, quando a Providência nos fizer conhecer os mistérios da pequena — e quão grande! — história do dia-a-dia da Sagrada Família. Um único episódio nos permite fazer uma pálida idéia sobre o universo de amor havido entre Eles, inclusive com São José: a Perda e o Encontro. O entranhamento de mútua compreensão e benquerença era tal, que Maria ficou perplexa diante daquela atitude praticada por um Menino tão afetuoso, reto e submisso.
Sim, Eles três na intimidade se admiravam mutuamente, transcendendo os aspectos comuns e correntes da existência de todos os dias, à espera da plenitude perpétua da caridade. Nazaré, nas vinte e quatro horas, comportava o sono, trabalho e demais ocupações que conduziam a uma forçosa e ao mesmo tempo dolorosa separação. Acrescentemos os quinze anos de exílio nos quais viveu Nossa Senhora nesta terra, depois de ter visto seu Filho desaparecer entre as nuvens da Ascensão.
Foi a saudade desse convívio e o ardor de o reaver na totalidade de sua intensidade e perfeição, que levou Maria a subir ao Céu de corpo e alma.
“Com a Assunção da Virgem Maria começou a glorificação de toda a Igreja de Cristo, que terá seu cumprimento no dia final da História” (João Paulo II, Ângelus 21/8/1983), no qual todos os justos, de corpoe alma, viverão com a Sagrada Família no Céu.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os planos de Deus

As leis do espírito são muitas vezes contrárias às da matéria. Assim, à medida que o homem come, seu apetite diminui; após uma boa refeição, ele se sente satisfeito. Na ordem sobrenatural, acontece exatamente o oposto: quanto mais a alma se alimenta dos bens espirituais, mais aumenta sua apetência, a qual só será saciada quando atingir o infinito, ou seja, o próprio Deus, para O qual foi criada.
No que diz respeito à propriedade ou ao uso de qualquer bem terreno, pode-se observar um caso semelhante. Quanto mais bens possuir um indivíduo, um grupo ou uma nação, menos restará para os demais. E o alimento consumido por um, a ninguém mais aproveita. No mundo do espírito, entretanto, dá-se o inverso: pela comunhão dos santos, quanto mais uma alma acumula graças, maior é a participação e o benefício de todas as outras.
Também no campo das funções e das hierarquias nesta vida, os julgamentos humanos e os divinos podem não ser os mesmos. Por exemplo, um simples irmão leigo, iletrado, faxineiro do convento, comparado a um monge do mesmo mosteiro, teólogo eminente. Nesta terra, este último gozará de merecida reputação, por sua vasta cultura, enquanto o irmão leigo será, talvez, tratado de uma forma comum. Passando para a vida eterna, porém, pode muito bem acontecer de o teólogo, com surpresa, ver no Céu o irmão faxineiro ocupando um trono muito superior ao seu...
Algo de análogo pode ocorrer com os povos e as nações nesta terra, pois não são destinados a permanecerem, enquanto tais, após o Juízo Final.
Não é raro, na História, depararmo-nos com um povo relegado a uma posição apagada na ordem internacional que, movido por fatores diversos, cresce, expande-se e, numa curva inesperada dos acontecimentos, eleva- se ao pódio da glória, deixando pasmos incontáveis historiadores incapazes de compreender tal sucesso. Assim, por exemplo, era impensável que dos bárbaros invasores do Império Romano surgisse a Europa.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A excelência do sacerdócio

Ficarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20). Que extraordinária promessa nos fez o Senhor, pouco antes de subir ao Céu! Falava Ele com os Apóstolos e, embora tais palavras fossem dirigidas a todo o gênero humano, continham uma mensagem especial para eles.
Com efeito, Cristo nosso Senhor se faria presente entre nós de vários modos, mas particularmente na voz infalível do Papa, na distribuição dos Sacramentos e, em especial, na sua real presença na Sagrada Eucaristia. Ora, todas essas maneiras de presença estão vinculadas ao sacerdócio e são dele dependentes. Era natural, pois, que Jesus, ao instituir a Santa Igreja, a entregasse à direção de homens que deviam ser seus representantes e sucessores: “Sacerdos alter Christus”.
Seja no confessionário, no altar ou no púlpito, o sacerdote é outro Cristo, e está continuando a própria missão do Homem-Deus nesta terra, quer dizer, a de ensinar a verdade, a de santificar e a de conduzir os homens no caminho da salvação.
Quão enorme é o poder de perdoar os pecados! Maior até do que o de curar os paralíticos, conforme afirmou o próprio Jesus (Mt 9, 2-7). Esse poder, Ele o conferiu aos Apóstolos para que o perpetuassem na sua Igreja, ao soprar sobre eles e dizer: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23).
E o que dizer do poder de celebrar a Eucaristia, consagrando o pão e o vinho? Sobre a grandeza da Celebração Eucarística, os Doutores, os Padres da Igreja e os Papas nos deixaram belas e profundas reflexões, como esta, de João Paulo II: “Diante desta extraordinária realidade ficamos atônitos e abismados: como é grande a humildade condescendente com que Deus Se quis ligar ao homem! Se nos detemos comovidos diante do Presépio contemplando a Encarnação do Verbo, como exprimir o que se sente diante do altar onde, através das pobres mãos do sacerdote, Cristo torna presente no tempo o seu Sacrifício? Só nos resta ajoelhar e em silêncio adorar este mistério supremo da fé” (Carta aos Sacerdotes, Quinta-Feira Santa de 2004).
Entende-se melhor por que São Francisco de Assis osculava o lugar por onde havia passado um sacerdote e jamais aceitou ser ordenado presbítero, julgando-se indigno (por causa de sua extrema humildade, é claro) de ser elevado a esse extraordinário estado.
Não é, portanto, sem fundamento que, nas relações humanas, haja uma exigência quanto à transparência dos variados aspectos da divina figura de Jesus nos seus sacerdotes, como afirmava São Paulo: “É preciso que os homens vejam em nós ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus” (1 Cor 4, 1).
Sobretudo no mais recôndito de sua alma, o padre é um outro Cristo, por ter recebido uma especial consagração, participativa daquela verificada na natureza humana de Nosso Senhor por sua união hipostática com o Verbo. Um só é o sacerdócio: o de Jesus Cristo, participado e continuado ao longo da História por seus sacerdotes.

sábado, 16 de julho de 2011

QUAL O TIPO DE SANTIDADE IDEAL PARA O HOMEM DE HOJE?

Ensina-nos São Tomás que, sendo Deus infinito, não poderia refletir-se numa só criatura, mas sim numa multiplicidade delas,e por isso criou Ele o Universo.
É através das coisas visíveis que o homem se eleva até as invisíveis. Por exemplo, contemplando uma simples concha de mar, podemos compreender o quanto Deus é, por assim dizer, afetuoso para conosco, pois, se para um molusco oferece Ele um tal “palácio” de madrepérola, qual não será a maravilha preparada para cada um de nós na mansão celeste?
São Paulo afirma com clareza essa verdade, em sua carta aos Romanos: “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornaram visíveis à inteligência, por suas obras”(1, 20).
Ora, essa realidade é ainda mais rica na ordem sobrenatural. Os seres que nos fazem conceber uma idéia mais próxima de quem é Deus, são os Santos. E o grande número destes demonstra o quanto quer Ele ser conhecido através de seus eleitos. Esta é também a razão da existência da rica variedade de feitios de santidade; para o homem há modelos em profusão, constituindo todos, no seu conjunto, um verdadeiro universo.
Em cada fase da História, a Divina Providência suscita uma plêiade de Santos, não só para se tornar mais acessível à humanidade, como também com a finalidade de contrapor-se aos erros e desvios morais de sua época.
Nesta perspectiva, melhor se entendem os Santos das Ordens mendicantes nascidas na Idade Média, como um São Francisco de Assis ou um São Domingos de Gusmão. Apresentando um tipo humano bem definido, surgiram eles, em meio aos esplendores de uma sociedade que intuía não estar longe de conquistar o mundo, para pregar o quanto os bens materiais são simples meios para realizarmos nossa vocação de cristãos e jamais o nosso fim último.
Com efeito, percorrendo os séculos do Cristianismo — e até mesmo os do Antigo Testamento — encontraremos um belíssimo caleidoscópio de feitios de santidade, cada um convidando ao equilíbrio e à perfeição nas relações dos homens entre si e com Deus, próprios a refrear e corrigir os perigos e inclinações de seu tempo.
Hoje atravessamos dramas, riscos e ameaças antes sequer concebidos, e, ao mesmo tempo, desfrutamos de um desenvolvimento tecnológico inimaginável em épocas anteriores. O homem dispõe atualmente de recursos que teriam enlouquecido de euforia os construtores da famosa Torre de Babel. Mas, pari passu, vai ele perdendo a noção do Belo, do Bom e do Verdadeiro.
E surge, então, uma pergunta: qual é o tipo de santidade ideal para os dias presentes?
Para respondê-la, analisemos os anseios e sonhos da hodierna e sadia juventude, a sociedade de amanhã. Assim poderemos conhecer o que nos prepara Deus, como resposta da santidade e como via de perfeição, para contrabalançar os delírios e carências morais deste terceiro milênio.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O REPOUSO OPERANTE

Deus criou o universo em seis dias e descansou no sétimo. A cada etapa, Ele contemplava a obra realizada e via que era boa. Após ter analisado o conjunto, Ele o classificou como ótimo, e “descansou do seu trabalho” (Gn 2, 2). “O fim coroa a obra”, diz um antigo ditado latino. E “todo movimento tende ao repouso”,afirma, por sua vez, São Tomás de Aquino.
A própria natureza nos ensina essa lei. Após as tempestades, os mares se acalmam, a atmosfera se torna serena e o ar se purifica; nessas ocasiões, é extremamente agradável elevar os olhos ao Céu e contemplar a Deus, sua infinita bondade e misericórdia.
As quatro estações também nos dizem algo nessa linha, pois aos rigores do inverno se sucedem as cores, os perfumes e os frescores da primavera, os calores do verão são temperados pelo lento e crescente refrigério do outono. Assim também o organismo humano, em seu equilíbrio normal, exige um certo número de horas de sono cada noite. E talvez seja esta uma das razões pelas quais quis Deus fazer a Terra girar em torno de seu próprio eixo ao longo das vinte e quatro horas do dia.
Sim, Deus instituiu a lei do repouso na ordem dos seres criados; e procura habituar os homens, durante o estado de prova nesta existência terrena, ao recolhimento com vistas à vida eterna.
À primeira análise, o descanso poderia parecer uma imagem da inação estagnada, infrutífera e deteriorante. Porém, é nele que o homem reencontra o melhor de suas energias e de sua operosidade eficiente.
Jesus mesmo chegou a dormir na barca de Pedro, em meio à tempestade, e censurou os Apóstolos por não terem suficiente fé quando estes O acordaram (Mt 8, 23-26). Aos próprios discípulos, aconselhava Nosso Senhor o repouso depois das grandes atividades. “Tendo os Apóstolos voltado a Jesus, (...) Ele disse-lhes: Vinde à parte, a um lugar solitário, e descansai um pouco” (Mc 6, 30-31).

terça-feira, 5 de julho de 2011

A Teocracia ao longo da história

Na Antiguidade, muitos povos atribuíam qualidades divinas a seus governantes, talvez por uma noção imprecisa de que a autoridade vem do Alto (cfr. Jo 19, 11). Os romanos, por exemplo, adoravam os imperadores, o que não os impedia de assassiná-los quando se cansavam de suas crueldades... Mas, na realidade, a História só conheceu um povo que foi governado diretamente por Deus: Israel. Era uma teocracia na sua forma mais pura. Nenhuma outra nação teve semelhante privilégio, nem houve sistema de governo mais perfeito do que esse: o Decálogo permanece pelos séculos afora como exemplo da simplicidade, eficácia e beleza da legislação divina.
Apesar dessa superioridade, o povo exigiu de Deus que lhe desse um monarca, à semelhança das outras nações. Deus atendeu seu pedido e entregou o cetro a Saul, pondo fim à teocracia em Israel.
Com a fundação da Igreja, povo eleito do Novo Testamento, o Filho de Deus escolheu Pedro e seus sucessores para governá-la. Prometeu enviar o Espírito Consolador, deu-lhes o dom de infalibilidade e o poder das chaves (cf. Mt 16, 19). Assim, o sucessor de Pedro permanece como perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja, com poder pleno, supremo e universal.
Do tempo em que São Pedro regia a Igreja nascente, sentado em sua singela cátedra, até nossos dias, a complexidade do governo cresceu quase ao infinito. Inspirados pelo Espírito Santo, os Papas souberam adaptar-se às novas circunstâncias, criando ao longo dos séculos os vários organismos da Cúria Romana para os auxiliarem no pastoreio do povo de Deus.
Algumas das atuais congregações romanas devem sua remota origem à construção da atual Basílica de São Pedro, que recentemente comemorou seus 500 anos de existência. Visando levar adiante tão monumental empreendimento, os Papas instituíram a Fábrica de São Pedro, comissão composta por cardeais que se reuniam regularmente para resolver os problemas atinentes à construção. E ficou o costume de se congregarem os cardeais para deliberar sobre os assuntos a eles confiados pelo Papa.
Um dos mais antigos dicastérios da Cúria Romana é a Secretaria de Estado, que remonta aos finais do séc. XV, quando foi instituída a Secretaria Apostólica, destinada a coadjuvar de perto o Sumo Pontífice. Com a descoberta do Novo Mundo, nasceu a necessidade de impulsionar as missões, tendo sido criada a Congregação de Propaganda Fide, hoje Congregação para a Evangelização dos Povos. Após o Concílio de Trento, a fim de interpretar e aplicar as reformas conciliares, foi criada a Sacra Congregatio Cardinalium Concilii Tridentini interpretum, à qual S.S. Paulo VI, em 1967, deu a denominação de Congregação para o Clero.
Deveu-se ao Papa Sisto V, em 1587, a iniciativa da organização da Cúria tal como a conhecemos hoje, dividida em Congregações Romanas, com o que a eficácia da ação pastoral dos Papas se viu muito beneficiada.
Porém, por mais engenhosos que sejam os métodos de organização do governo da Igreja, nunca devemos esquecer, como nos ensina admiravelmente o Concílio Vaticano II, que o Espírito Santo é quem dota, dirige e embeleza a Igreja, mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos (LG n. 4).