Ouçam os comentários de Mons João Clá Dias sobre a Eucaristia.
quinta-feira, 3 de março de 2016
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
Onde encontrar o verdadeiro remédio para a dor?
“O Senhor Deus é o amparo dos humildes” (Sl 146, 6). De fato, aos
humildes, àqueles que praticam a temperança — virtude alheia aos orgulhosos — e
se submetem à correção, à mortificação e à dor, cedo ou tarde Deus os haverá de
atender e amparar.
Quando permitiu ao
demônio atormentar Jó, Deus queria que aquele varão justo crescesse ainda mais
na temperança e, portanto, na santidade, para, em seguida, cumulá-lo de méritos
e outorgar-lhe em maior grau a participação na vida divina. Entendemos, então,
quanto as tribulações que nos atingem são, no fundo, permitidas por Deus, em
vista de uma razão superior.
Ele não pode promover o
mal para a nossa alma, e assim age porque nos ama e deseja dar-nos muito mais
do que já deu. E porque é bom, ao mesmo tempo que consente as adversidades, Ele
nos conforta, como sublinham mais alguns versículos do Salmo Responsorial:
“Louvai o Senhor Deus, porque Ele é bom, [...] Ele conforta os corações
despedaçados, Ele enfaixa suas feridas e as cura” (Sl 146, 1.3).
Ao Se debruçar sobre a
sogra de Pedro e fazer-lhe desaparecer a febre, ou ao sanar a multidão afligida
por enfermidades e tormentos, Nosso Senhor não visava ensinar que a dor deva ser
eliminada. Pelo contrário, tanto a considerava um benefício para o homem, que
Ele mesmo abraçou a via dolorosa e a escolheu também para sua Mãe. Nestes
milagres — como em incontáveis outros operados durante sua atuação pública —
Ele devolveu a saúde para deixar uma lição aos Apóstolos, aos circunstantes e
aos próprios enfermos: a luz está n’Ele, a vida está n’Ele, a solução da dor
provém d’Ele! Mais adiante, na iminência de ressuscitar Lázaro, Ele dirá: “Eu
sou a Ressurreição e a Vida!” (Jo 11, 25).
Mons João Clá Dias ( Texto extraído dos comentários ao Evangelho V domingo tempo comum - Revista Arautos do Evangelho fev 2015)
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domingo, 10 de janeiro de 2016
Santidade
Certos da bondade de Nosso
Senhor Jesus Cristo, roguemos a Ele que nos dê forças para vencer as
dificuldades, pois o caminho do Céu não é fácil. Compenetremo-nos de que a cada
passo nos cabe procurar ser mais perfeitos e conformar nossas almas com a
d’Ele, pelo princípio inerrante de que ou progredimos ou nos tornamos tíbios. Na
vida espiritual nunca estamos estagnados: quem não avança, retrocede!
Peçamos, pois, a graça de deixar tudo para abraçar a via da santidade,
seja ela em família ou numa vocação religiosa, com coragem e cheios de
confiança!
( Mons João Clá Dias)
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Também para nós brilha uma estrela
A história dos Reis Magos é um
extraordinário exemplo de correspondência ao chamado de Deus. Viram eles uma
estrela rutilante dentro da qual — segundo uma bela tradição — se encontrava um
Menino que tinha por trás uma luz mais intensa formando uma Cruz 10 e a seguiram
sem hesitação. Esta estrela é um símbolo muito expressivo da Santa Igreja
Católica Apostólica Romana.
Assim como a luz da estrela guiou
os Magos, a Igreja é a luz que cintila incessantemente, sem nunca bruxulear nem
diminuir seu fulgor, para guiar os povos rumo ao Reino de Deus. E, ao longo dos
tempos, todos quantos se converterem é porque de alguma maneira viram esta
estrela e resolveram adorar a Jesus Cristo. Ela continua a brilhar e brilhará
até o último dia da História, como prometeu Nosso Senhor: “as portas do inferno
não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).
Somos fiéis ao brilho desta estrela?
Cabe, aqui, uma aplicação
pessoal: luziu diante de nossos olhos esta estrela por ocasião do Batismo,
quando infundiu Deus em nossa alma um cortejo de virtudes — as teologais: fé, esperança
e caridade; e as cardeais: prudência, justiça, temperança e fortaleza, em torno
das quais se agrupam todas as outras — e os dons do Espírito Santo, e passamos
a participar da natureza divina. Pertencemos ao Corpo Místico de Cristo e o Céu
se abre diante de nós. Tornou-se mais resplandecente esta estrela no dia de
nossa Primeira Comunhão, ao recebermos o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de
Cristo glorioso, para Ele nos assumir e santificar. A todo instante ela nos convida
à santidade, a rejeitar nossas más tendências e a estar totalmente prontos para
ouvir a voz da graça que diz em nosso interior “Vem, segue-me!”, e nos chama a
sermos generosos, de forma a cada um de nós também constituir para os outros
uma estrela, atraindo-os para a Igreja.
Se, por miséria ou por
provação, perdermos de vista esta luz, precisamos ir a Jerusalém, ou seja, à Santa
Igreja, a qual, em seus templos sagrados, se mantém sempre à nossa espera para
nos indicar onde está Jesus. Ali haverá um sacerdote, estará exposto o Santíssimo
Sacramento ou se encontrará uma imagem piedosa, instrumentos para reacender a
estrela existente em nosso coração.
Incumbe-nos, ademais, tomar
cuidado com o “Herodes” instalado dentro de nós: nosso orgulho, nosso materialismo,
nosso egoísmo. Ele almeja apagar esta estrela, pelo pecado mortal, e colocar-nos
nas vias dos prazeres ilícitos; quer levar-nos a matar Jesus Cristo que está em
nossa alma como um luzeiro cintilante. Seremos do mundo e do demônio se
tivermos uma vida dupla, limitando-nos a frequentar a igreja aos domingos e comportando-nos,
depois, como se desconhecêssemos a estrela. Devemos, portanto, estar sempre junto
a Nosso Senhor, oferecendo-Lhe o ouro do nosso amor, o incenso da nossa
adoração e a mirra das nossas misérias e contingências, pedindo constantemente
o auxílio de sua graça.
Compreendamos, nesta Solenidade
da Epifania, que os Magos nos dão o exemplo de como alcançar a plena
felicidade. Com os olhos fixos em Maria, imploremos: “Minha Mãe, vede como sou
fraco, inconstante, miserável, e quanto preciso, ó Mãe, da vossa súplica e da
vossa proteção. Acolhei-me, minha Mãe, eu me entrego em vossas mãos para que
Vós me entregueis a vosso Filho”. E dirigindo-nos a São José, digamos: “Meu Patriarca,
senhor meu, aqui estou, tende pena de mim, ajudai-me a pedir a vossa esposa,
Maria Santíssima, para Ela ter sempre os olhos postos em mim”. Roguemos aos
Reis Magos que intercedam junto ao Santo Casal e ao Menino Jesus, para nos
obter a graça de não procurarmos luzes mentirosas, mas seguirmos a verdadeira
estrela, ou seja, a da prática da virtude e do horror ao pecado.
1 Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.36, a.5, ad 4.
Texto extraído dos comentários de Mons João Clá Dias ao Evangelho- Solenidade da Epifania - Revista Arautos do Evangelho - Jan 2016
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Duas visualizações, duas eternidades... uma só Alegria!
É noite, noite fria, noite de
inverno. Na cidade agora deserta, as poucas réstias de luz provêm do
aconchegado interior das casas, filtradas por portas e janelas tão bem fechadas
quanto possível à pobreza do lugar.
E pelas ruas vazias vagueia um
casal cansado, à busca de hospedagem... Aparentemente, nada há de mais banal
que esta cena.
Contudo, a jovem grávida está
acompanhada de Anjos belíssimos e invisíveis, enquanto os Céus se debruçam
embevecidos sobre Ela: é a Rainha do universo, “vestida de sol” e “coroada de
doze estrelas” (Ap 12, 1), carregando no seu seio puríssimo — por obra de um milagre,
misterioso e altíssimo — o Sol salvador que, instantes depois, inundaria a
Terra e a História com sua luz redentora.
Esta maravilha, entretanto, os
olhos humanos não a alcançam, porquanto os materialistas daquele tempo
recusaram hospedagem a esta luz: para ela “não havia lugar” (Lc 2, 7) porque
seus corações não eram dignos dela. E, nesta noite, Belém prenunciava
Jerusalém, que não soube reconhecer o tempo em que fora visitada (cf. Lc 19,
44), nem quem podia trazer-lhe a paz (cf. Lc 19, 42), e acabou por crucificar o
Senhor da glória a ela enviado (cf. I Cor 2, 8).
Assim, há os que, olhando para
o Rei dos reis feito Menino, ofuscados pela aparência humilde e despojada, veem
n’Ele apenas o filho do carpinteiro de Nazaré. Contudo, há também quem, olhando
para o pobre, mas majestoso, filho de José, extasiado pela sua inocência e
sabedoria, reconhece n’Ele o Senhor dos senhores. O mesmo Menino, vestindo as
mesmas roupas, apresentando o mesmo porte, utilizando a
mesma linguagem, suscita entretanto a seu respeito duas visualizações diversas,
antagônicas e — quantas vezes! — em luta.
Na raiz mais profunda dessa
adversidade está o embate entre dois campos incompatíveis: a cidade do mundo e
a cidade de Deus, como tão bem descreve Santo Agostinho. E é em função dessa
oposição que o divino Bebê de Belém, Juiz do universo, colocará uns à sua
direita e outros à esquerda (cf. Mt 25, 33).
Assim, duas visualizações, duas
mentalidades, dois mundos, duas eternidades se confrontam continuamente, quase
sempre de modo velado, e Deus permite que as almas pertencentes a ambos os
lados cresçam juntas (cf. Mt 13, 24-30), pois não há glória sem vitória, e não
há vitória sem luta.
Pelos olhos da fé, vemos nas
ruas de Belém caminhar uma Virgem, suave e recolhida. N’Ela, esperando para
nascer, o Criador e Redentor — que tudo sabe e tudo pode — tem em suas mãos
nossa felicidade e nossa paz. Sua chegada traz para nós a alegria do Natal,
como mero prenúncio do gáudio da salvação eterna e definitiva. Ele nos convida
constantemente a conquistar a glória celeste, antegozada ainda nesta Terra,
pela alegria sincera da alma, por quem caminha seguindo seus sagrados passos.
Alegria que entrava no mundo, no rastro de dois humildes viajantes que, rejeitados,
cruzavam uma pequenina cidade, em fria noite de inverno.
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sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Como alcançar uma sociedade feliz?
A primeira instituição humana
não foi governamental, nem econômica, nem mesmo laboral. Criado Adão, e formada
Eva de seu costado, constituíram eles a primeira família humana, princípio e causa
de todas as demais. Desde a origem, como reafirmado posteriormente pelo Salvador
(cf. Mc 10, 6-8), Deus criou o homem e a mulher, os quais, unindo-se segundo um
desígnio eterno de sua sabedoria, “são uma só carne” (Gn 2, 24).
A solidez e estabilidade desta
união — cuja sublimidade foi elevada a Sacramento pelo próprio Cristo como
Fundador da Igreja — se encontram radicadas no fato de ser ela operada pelo
próprio Deus, embora ministrada pelos esposos: a iniciativa é humana, mas o
resultado é divino, porquanto o homem não tem poder para anulá-lo. Esta
realidade foi sancionada pelo Redentor com uma ordem clara: “não separe o homem
o que Deus uniu” (Mt 19, 6).
Foi este um dos elementos que
opuseram-No aos fariseus: muito preocupados pelos aspectos humanos, e pouco
interessados nos desígnios divinos, buscavam estes distorcer os princípios
mosaicos para adequar a Religião às suas paixões. Jesus Cristo, contudo, não
deu a menor margem às suas ânsias; obstinados e impenitentes, com esta e outras
atitudes, os fariseus se empurraram voluntariamente para a margem da
História...
Do casamento concebido segundo
a visão cristã, surgiram as famílias que deram origem às sociedades inspiradas
no Evangelho, destinadas a fazer florescer os frutos do Espírito: “caridade,
alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança”
(Gal 5, 22-23). Com muita organicidade, o homem conhecia uma mulher e,
motivados pela caridade, resolviam casar-se; enfrentavam dificuldades, mas perseveravam
juntos. Passavam-se os anos, e ambos se davam muito bem! Assim perduraram as
sociedades, durante vinte séculos...
Porém, surgiram o divórcio e
formas cada vez mais esdrúxulas de “famílias”; e os problemas, em vez de
diminuir, aumentaram... Assim, chegamos a uma situação na qual a família sofre
duma crise global, até constituir-se hoje uma verdadeira encruzilhada na
História. Com efeito, de modo quase cíclico, a dureza de coração que Jesus
denunciara nos fariseus (cf. Mc 10, 5) torna uma e outra vez a manifestar-se:
com pretextos mais ou menos semelhantes, pretendem sempre retorcer a verdade de
modo a julgar-se no direito de exigir de Deus que justifique os efeitos das paixões
desregradas. Onde encontrar novamente o remédio para este mal antigo?
Para um mesmo problema, vale a
mesma solução. Ontem, como hoje e sempre, o homem nesta Terra nunca poderá
evitar a dor. O segredo da felicidade, portanto, não se encontra em não sofrer,
mas em como enfrentar o sofrimento. A felicidade da família bem constituída se
firma na Rocha sobre a qual foi edificada (cf. Lc 6, 48); enquanto ambos os
esposos se encontram abrasados no amor a Deus, não temem nem vacilam; mesmo
quando sofrem, estão cheios de alegria espiritual. A chave da felicidade de
determinada sociedade consiste, pois, em estar formada por famílias cujos cônjuges
anseiam pela santidade.
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quarta-feira, 24 de junho de 2015
Misericórdia infinita
Realmente,
não há solução. Todos os recursos foram experimentados, e o resultado continua
desastroso, desencorajando os que ainda mantinham restos de esperança.
Mas, de
quem falamos? Qual a situação? A resposta é simples: trata-se da humanidade.
Ao
analisar com objetividade a História, vemo-la como longa sequência de desatinos
e fracassos, à maneira de uma estrada péssima, coalhada de obstáculos e
catástrofes, cada qual mais terrível e assustadora que a anterior. Desolados,
verificamos que a culpa de tais desgraças recai sobre os próprios viajantes,
pois acumularam ao longo do trajeto os destroços de sua imperícia, descuido ou
maldade, para servirem de tropeço aos próximos infelizes que, por sua vez, ultrapassam
os antecessores nesse campeonato de horror.
Em
contrapartida, que imensa profusão de carinho! Com solicitude incansável o
Criador acompanhou o gênero humano ao longo das eras e, sobretudo, atingida a
“plenitude dos tempos” (Gal 4, 4), ofereceu-lhe os méritos incalculáveis da
Redenção operada pelo próprio Filho de Deus. Mas o desdém, a ingratidão e a
revolta parecem ser as únicas respostas a essa abundância ilimitada, a esse
esbanjar ininterrupto de amor.
Assim
chegamos ao século XXI — tão jovem e já tão desvairado —, nascido no mesmo
abismo onde o século XX deu o último suspiro. A Terra não passa de um covil de
feras, selva de ódios e praça de loucuras.
À vista
disso, dizemos: de fato, não tem conserto. No entanto, quem assim pensasse
cometeria grave omissão.
Com
efeito, se raciocinarmos com critérios exclusivamente humanos, poderemos
concluir que a situação é irremediável e o desastre definitivo. Porém,
faltar-nos-ão dados de valor primordial, cuja amplitude somente a Fé consegue
descortinar.
Lembremos
que a bondade de Deus, atributo do qual Ele jamais poderá separar-Se, não é
apenas incomensurável, mas infinita. Ora, na manifestação de tal misericórdia,
a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade agiu como alguém que, desejando
ultrapassar-Se a Si mesmo, sai do âmbito de sua família — onde goza das
excelências de um convívio feito de requintada distinção e inefável doçura — e
lança-se à procura dos infelizes e abandonados, para tornar-Se um com eles e
assim elevá-los à sublimidade de sua nobre estirpe. “Sendo de condição divina”,
decidiu “assemelhar-Se aos homens” (cf. Fl 2, 7) e tornou-os “semelhantes a
Deus” (I Jo 3, 2). Deus então olhou para a humanidade e encontrou nela traços
de sua própria “família”.
Pois
bem, será Ele quem estabelecerá limites a essa misericórdia demasiadamente grande?
Não! Ainda que o mundo role por despenhadeiros mais terríveis dos que até agora
se sucederam, tudo terá solução. E nós, na ufania de verdadeiros familiares do
Verbo Encarnado, fazemos diante d’Ele nossa proclamação de confiança: “Ó
Sagrado Coração de Jesus, pleno de amor e bondade! Se o mundo atual se encontra
mergulhado em tais profundezas, qual será a surpresa que nos prepara vossa
clemência? Apressai-Vos em intervir, Senhor! E, por meio de vossa Mãe Santíssima,
fazei desse extremo de miséria mero pretexto para a manifestação de novas
maravilhas, nas infinitas altitudes de vossa misericórdia!
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