sábado, 28 de abril de 2012

Bom Pastor

Arriscar a própria vida em benefício do rebanho é o grande heroísmo do bom pastor, na parábola do Evangelho (Jo 10, 11-16). Mas qual o pai, ou a mãe, ou quem quer que seja, capaz de dar como alimento sua carne e como bebida seu sangue por amor ao próximo? Só mesmo Deus estaria à altura de tão ilimitada virtude.
Com muita propriedade diz São Pedro Julião Eymard:
A Eucaristia é, por excelência, o Sacramento do Amor. (...) Na Eucaristia, recebemos o autor de todos os dons: o próprio Deus. É, portanto, principalmente na Comunhão que aprendemos a reconhecer a lei de amor que Nosso Senhor veio nos revelar.
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A devoção a Jesus Sacramentado é um dos pontos centrais de nossa espiritualidade. Em todas as nossas casas, procuramos ter Adoração perpétua. E quando isto não é possível, por insuficiência de quorum, fazem-se ao menos várias horas por dia de oração perante o Santíssimo.
Eucaristia, Maria e o Magistério Infalível da Igreja: eis as três pilastras nas quais se funda a vida sobrenatural dos Arautos do Evangelho. Bone Pastor, panis vere, Iesu,nostri miserere... Bom Pastor, pão da verdade, Jesus, tende de nós piedade.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Coração de Cristo e o de sua Mãe!

Açoitado por agitadas ondas, sob raios e trovões de aterradora tempestade, lá vai o barquinho quase naufragando, e prestes a abandonar a luta. Até que, como outrora os Apóstolos no Mar da Galiléia, o exausto marujo no seu interior se lembra de que a salvação está ali mesmo, junto dele...
Não são assim também as tormentas que às vezes enfrentamos? Entretanto... a solução está sempre muito perto de nós. Após sua Ascensão ao Céu, Nosso Senhor não nos abandonou à nossa sorte. Continua à espera de que a Ele recorramos, pronto para fazer cessar qualquer tempestade.
Aqui tocamos no cerne da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A mensagem que Ele veio nos transmitir, nas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque, fala de seu ardente amor por nós e do conseqüente desejo de nos socorrer.
Se soubéssemos quão “onipotente” é essa devoção! Se muitos cristãos a abraçassem, não apenas resolveriam seus problemas pessoais, mas ajudariam a reverter a grave crise mundial. É o que dizem os Papas dos últimos 150 anos.
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Ao longo do último século, assistiu-se à abolição dos pontos de referência, dos valores mais sagrados, das próprias bases da civilização, até chegar à trágica situação de hoje. Por quê?
Responde Leão XIII: “Quando a religião é descartada, fatalmente acontece que se desmoronam os mais sólidos fundamentos do bem público. Para fazer seus inimigos experimentarem o castigo por eles provocado, Deus os deixa à mercê de suas más inclinações, de modo que, abandonando-se às suas paixões, se entreguem a um excessivo desregramento. Daí essa abundância de males que há tempo avançam sobre o mundo.”
Leão XIII escreveu essas palavras na Encíclica Annum Sacrum, preparando a cerimônia de consagração da humanidade ao Sagrado Coração de Jesus, que se realizou em junho de 1899. Ele a terminava com esta proclamação:
“Quando a Igreja, ainda próxima de suas origens, estava oprimida sob o jugo dos Césares, um jovem imperador viu no céu uma cruz que anunciava e preparava uma vitória próxima e magnífica. Temos hoje outro lábaro bendito e divino que se oferece a nossos olhos: o Sacratíssimo Coração de Jesus, sobre o qual se levanta a cruz e que brilha com um deslumbrante esplendor, entre as chamas do amor. N’Ele devemos pôr todas as nossas esperanças, a Ele devemos suplicar e d’Ele devemos esperar nossa salvação.”
Assim, ainda que nosso barquinho encontre as piores borrascas, ergamos nossos olhos para esse pendão salvador, o Sagrado Coração de Jesus.
Para chegarmos mais rápida e diretamente até Ele, peçamos o auxílio d’Aquela que é Mãe d’Ele e nossa. Afinal, em se tratando de coração, “o que mais se assemelha ao Coração de Cristo é, sem dúvida, o de Maria, sua Mãe Imaculada, e precisamente por isso a Liturgia os indica juntos à nossa veneração” — diz Bento XVI (Ângelus, 5/6/2005).

sábado, 7 de abril de 2012

"Mortes" e "ressurreições" da história

Ao longo da história, a civilização tem passado por fases que parecem repetir a vida de Nosso Senhor, incluindo “paixões”, “mortes”, “sepultamentos” e “ressurreições”, a partir das quais brilha ainda mais intensamente do que em épocas anteriores. Foi assim, por exemplo, com o Império Romano do século V, já então católico, que afundou golpeado pelos bárbaros, para ressurgir com um brilho maior no império de Carlos Magno. No século IX, eis que novamente a Cristandade ameaça sucumbir pela anarquia religiosa e política, e pelas invasões dos vikings e dos maometanos, mas renasce ainda mais vigorosa na Idade Média, chegando a um patamar social e cultural nos séculos XII e XIII nunca antes atingido (foi a época em que “a filosofia do Evangelho governava os Estados”, no dizer do Papa Leão XIII). E entre altos e baixos, chegamos ao nosso tempo, após uma longa decadência. E, sob muitos aspectos, atingimos o ponto mais baixo desde aquele dia em que Cristo ressuscitou.
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Em face do crescente caos, da incerteza e da insegurança, de acontecimentos escandalosos e dolorosos, às vezes vacilamos. Somos atraídos pelo desânimo. Como aconteceu com os apóstolos naqueles dias em que Nosso Senhor jazia no sepulcro.

Que grande equívoco! Embora devamos saber ver toda a gravidade da situação que nos rodeia, temos de manter a certeza inabalável de que, como Cristo venceu a morte, também serão superadas com sua graça as dificuldades da hora presente.

Muitos santos, entre os quais São Luís Maria Grignion de Montfort, anunciaram o advento de um período glorioso para a Santa Igreja Católica, no qual Maria se tornará, como nunca antes, a Rainha dos corações.

Será o triunfo de seu Imaculado Coração, previsto por Ela mesma em Fátima, o “Reino de Maria”, época na qual Deus derramará sobre o mundo graças extraordinárias.

Possamos nós, desde já, sob a guia e o amparo de Nossa Senhora, neste mês cultuada sob a invocação de Mãe do Bom Conselho, anunciar a Boa Nova aos homens de nosso tempo, levando-lhes uma palavra de fé e de confiança. Assim estaremos entre aqueles que o saudoso Papa João Paulo II denominou de “sentinelas da manhã, nesta aurora do novo milênio” (Novo Millennio Ineunte, 9).

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Eucaristia

Arriscar a própria vida em benefício do rebanho é o grande heroísmo do bom pastor, na parábola do Evangelho (Jo 10, 11-16). Mas qual o pai, ou a mãe, ou quem quer que seja, capaz de dar como alimento sua carne e como bebida seu sangue por amor ao próximo? Só mesmo Deus estaria à altura de tão ilimitada virtude.
Com muita propriedade diz São Pedro Julião Eymard: A Eucaristia é, por excelência, o Sacramento do Amor. (...) Na Eucaristia, recebemos o autor de todos os dons: o próprio Deus. É, portanto, principalmente na Comunhão que aprendemos a reconhecer a lei de amor que Nosso Senhor veio nos revelar.

sábado, 31 de março de 2012

A caridade é o pleno cumprimento da Lei


Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas!”

Sete vezes invectiva Jesus a perfídia dos fariseus, com palavras severas e contundentes, no capítulo 23 de São Mateus, contrastando com sua habitual bondade e mansidão para com os publicanos, os pecadores arrependidos e os pequeninos.

A que se deve tão surpreendente atitude de Quem, no alto da Cruz, perdoou aos que O matavam e a um dos ladrões que com Ele morria? À falta de caridade para com o próximo e ao fato de quererem eles, escribas e fariseus, fazer consistir a religião no cumprimento de ritos externos, esquecendo o mais importante, ou seja, o amor a Deus e o amor ao próximo por amor de Deus: “Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho e desprezais o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade” (Mt 23, 23).

Esse desprezo de tal forma distorcia a essência da Lei que chegava até ao absurdo. Em certa ocasião, num sábado, os fariseus reunidos na sinagoga perguntaram a Jesus: “Será permitido curar no dia de sábado?” (Mt 12, 10). Respondeu Ele: “É lícito praticar o bem no dia de sábado” (Mt 12, 12). E logo em seguida curou um homem que tinha a mão ressequida. Em vez de tal milagre suscitar admiração, causou a reação contrária, por acharem ter sido violado o sábado, no qual era proibido trabalhar: “Os fariseus, saindo, reuniram-se em conselho contra Ele, para matá-Lo” (Mt 12, 14), não se perturbando sua consciência com essa atitude, a qual infringia abertamente o quinto Mandamento, que proíbe matar.

Essa cegueira de alma tão difundida entre os fariseus, e que causa tanto horror, se devia a não terem eles verdadeiro amor de Deus e não cumprirem com retidão de alma o primeiro Mandamento da Lei. Por isso, não eram capazes de ver no próximo a “imagem e semelhança” de Deus (Gn 1, 26).

Foi preciso que o Filho de Deus Se encarnasse e morresse na Cruz, fazendo nascer de seu Lado transpassado por uma lança a Santa Igreja, para que os homens, com auxílio da graça divina, pudessem praticar verdadeiramente a caridade.

Mas o risco de sobrevalorizar as exterioridades não é exclusividade dos fariseus, o que leva São Paulo a advertir com veemência os cristãos de seu tempo: “Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas, e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita” (1 Cor 13, 3). Pois até mesmo no exercício da caridade para com o próximo, pode faltar a caridade para com Deus, tornando estéreis em méritos as melhores ações. Ao praticar essa virtude, na qual se resume toda a Lei, tenhamos sempre gravadas a fogo no coração o Mandamento Novo: “Que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei” (Jo 15, 12).

terça-feira, 27 de março de 2012

A DOR E O AMOR A DEUS

Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Fazendo eco a essas palavras de São Paulo na primeira Epístola aos coríntios, a liturgia da Semana Santa se refere à Paixão do Senhor, proclamando que os tormentos por Ele sofridos transformaram-se em glória e esplendor. Ao triunfar sobre a morte e o pecado, Cristo Jesus comprou nossa salvação, abrindo-nos de par em par as portas do Céu.

Foi esse, entretanto, o único objetivo do Salvador com seu supremo martírio? Não. Além de reparar as ofensas feitas ao Pai pelos pecados cometidos por suas criaturas humanas, e de redimi-las, quis Jesus nos ensinar um novo caminho de amor a Deus: o oferecimento irrestrito das próprias dores, chegando até ao sacrifício da própria vida.

Após o pecado original, afirma São Tomás, estabeleceuse na alma humana a necessidade do sofrimento para facilitar- lhe a aceitação de seu estado de contingência e, assim, ser levada a recorrer ao auxílio sobrenatural. Esta é a razão pela qual muitos autores católicos têm comparado a dor a uma espécie de oitavo sacramento. Sem esse poderoso meio, acentuar-se-ia no homem a tendência de fechar-se sobre si mesmo e constituir-se em centro do universo.

A dor o obriga a juntar as mãos em atitude de oração e a implorar a proteção de Deus e dos santos. Jesus, ao submeter-se a dores atrozes, físicas e morais, deu-nos o exemplo e a lição de quanto a dor é eficaz para conquistarmos a vida eterna. Visto na perspectiva da Cruz de Cristo, o sofrimento é suportado com paz e serenidade e se torna insubstituível instrumento de conversão e progresso espiritual.

A Semana Santa nos traz excelente ocasião para refletirmos a respeito dos benefícios da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Aproveitemos para pedir a nosso Redentor, por intercessão de Nossa Senhora das Dores, que os méritos do seu preciosíssimo sangue derramado desçam sobre nós, de modo que, ao enfrentarmos nossas dores quotidianas, tenhamos as mesmas forças com que Ele enfrentou as dores da Paixão.

sexta-feira, 23 de março de 2012

O patriarca dos dois testamentos

Se os homens pudessem ver a Deus como Ele é, em todo o seu esplendor, a vida não seria uma prova, nem seria necessária a virtude da fé, pois ela nos é dada a fim de podermos acreditar naquilo que não vemos. Para crer que um Deus Se fez homem como nós, talvez tenha sido necessário um ato de fé maior, por parte de quem conheceu Nosso Senhor Jesus Cristo em sua vida terrena, do que de quem, dois mil anos depois de sua Ascensão, nasceu e foi educado no seio da Igreja Católica.
Os Apóstolos, por exemplo, conviveram durante três anos com o Messias, no dia a- dia, caminhando a seu lado nas viagens apostólicas, observando suas reações humanas, como o cansaço o sono, a fome, a sede, a tristeza ou a alegria. Esses aspectos humanos de Jesus causavam-lhes dificuldade não pequena de ver n’Ele o Unigênito de Deus.
Tornou-se célebre o inquérito feito por Jesus aos seus mais próximos, durante uma viagem a Cesaréia: “No dizer do povo, quem é o Filho do Homem?” Nessa ocasião pôde-se comprovar quanto as pessoas em geral, e os próprios Apóstolos, viam n’Ele os aspectos humanos, e não a divindade. Só Pedro — e por revelação do Pai — foi capaz de afirmar; “O Filho de Deus”. E foi nesse binômio entre fé e revelação que Jesus instituiu o Papado: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18).
Mas esse acontecimento verdadeiramente grandioso se passou, talvez, à beira do caminho, à sombra de alguma árvore frondosa, enquanto descansavam um pouco, recuperando as forças para prosseguir viagem.
Quem presenciasse tal cena e não tivesse muita fé poderia conjeturar que ali estava nascendo uma instituição destinada a atravessar a História até o fim dos tempos? Impossível. Sem a graça de Deus, quem conheceu Jesus em Nazaré, levando a vida de um artesão, não seria capaz de ver n’Ele senão o filho do carpinteiro.
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Através desse prisma, torna-se mais fácil compreender um dos grandes méritos de São José: crer, desde o primeiro momento, apesar das aparências humanas, que seu filho era o Messias, o Filho de Deus.
Essa fé lhe mereceu a mais alta dignidade à qual algum homem possa aspirar. Ser esposo de Maria, a Mãe de Deus, e pai, por direito, do Filho de Deus! Algum potentado teve tanto poder, a ponto de dar ordens a Deus? E algum rei teve corte tão faustosa que superasse a glória de conviver com pessoas de tão alta condição como Jesus e Maria?
No entanto, José, apesar de ser descendente de David e exercer o pátrio poder sobre o Filho de Deus, viveu toda a sua existência como um honesto carpinteiro. Talvez, até, um pouco desprezado por seus conterrâneos, por não ter ganância e se recusar a auferir lucros desproporcionados a seu trabalho, como o fariam outros. Tudo, nele, era aparentemente comum. Porém, sua fé em Jesus lhe conferia uma estatura superior à do próprio Abraão, e nele vemos realizar-se a figura do maior patriarca do Antigo Testamento, como também da Santa Igreja, que nasceria do Sagrado Costado de Cristo.