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domingo, 5 de fevereiro de 2012

Invencibilidade do Bem

Quem conhecesse Jesus, ao longo de seus trinta anos de vida oculta, depois de ter assistido ao seu nascimento na Gruta de Belém, seria levado a se perguntar por que o filho de Deus escolheu um lugar tão pobre para nascer e condições tão humildes para o desenrolar de sua existência.
Essa interrogação talvez tivesse ainda outros desdobramentos: não poderia Ele, sendo Todo-Poderoso, vir ao mundo manifestando sua glória e majestade, para se fazer adorar por todos os homens? Não seria bem mais fácil que, assim agindo, todos O aceitassem como o Messias prometido?
Entretanto, preferiu a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade revestir-se da fragilidade da condição humana, em vez de externar a sua grandeza inerente, criando assim um sublime paradoxo.
Tudo na vida de Nosso Senhor obedece a desígnios cheios de Sabedoria. Se sua divindade fosse externada de forma inequívoca, revestindo-se de poder e fulgurante pulcritude, não seria necessária a virtude da Fé para nEle acreditar. Bastaria uma simples constatação da inteligência e um pequeno esforço da vontade, da mesma maneira como para o olho humano é suficiente abrir as pálpebras para captar a luz e enxergar tudo quanto está dentro do seu campo de visão.
Sendo sua realeza e divindade reconhecidas por todas as categorias sociais, pelos poderes civis e religiosos, que mérito haveria, para os homens, em nEle crer?
Eis uma das razões pelas quais o Filho de Deus quis Se encarnar em um corpo padecente, sem a transparência de sua natureza incriada e eterna: oferecer ao homem a possibilidade de praticar a Fé.
Apesar disso, nunca esteve a divindade de Nosso Senhor dissociada de sua humanidade. Seria até absurdo pensar num Cristo meramente humano, como fizeram os arianos e outras seitas. Mas, por outro lado, também erraria quem imaginasse ser possível o fracasso definitivo de uma Pessoa que assim assume tão débil natureza, pois à divindade é inerente o triunfo, por mais que as circunstâncias falem em sentido contrário.
A vitória de Jesus manifestar-se-á, sobretudo, no fim dos tempos, quando Ele vier julgar os vivos e os mortos. Mas, também, ao longo da história, torna-se ela patente na invencibilidade da Igreja, decorrente da promessa de Nosso Senhor a São Pedro: “As portas do inferno não prevalecerão contra Ela” (Mt 16, 18).
Qualquer que seja a circunstância histórica, por piores que sejam as perseguições ou as manifestações do ódio de Satanás e do mal contra a Esposa de Cristo, pode-se dizer que Ela será não somente invencível, mas triunfante.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Infalibilidade: um dom de Deus à Igreja

É admirável, no universo, a perfeição dos instintos dos seres vivos. Por exemplo, a precisão com a qual as plantas penetram suas raízes na terra, em busca de minerais, e as fortalecem de forma a sustentar o todo de sua constituição. Em condições normais, nunca acontece de uma árvore deixar, por algum equívoco da natureza, um de seus ramos crescer de forma desordenada, desequilibrando todo o conjunto. Algumas espécies encantam nosso olhar pela beleza e harmonia com que seus galhos se distribuem, em impecável simetria, ao longo do tronco. Sem o concurso de jardineiro, elas se desenvolvem segundo as características próprias, suprindo “instintivamente” as necessidades de sua vida vegetal.
Mas, se nos detivermos no mundo animal, essa maravilhosa exatidão se torna ainda mais patente. Todo ser animado procura de modo ordenado sua subsistência e reprodução. Como explicar o excelente senso de orientação que leva certas aves a percorrerem longas distâncias, às vezes cruzando mares, sem errar o destino? Alguns animais, como o esquilo, já no verão prevêem com segurança a intensidade dos rigores do próximo inverno e fazem suas reservas de acordo com o frio a enfrentar. Tanto é assim que, na América do Norte presta-se atenção neles para saber se duro ou suave será o inverno.
Assim o homem, embora seja o rei da criação, observa o comportamento dos animais para suprir algumas insuficiências dos instintos de sua natureza.
Poder-se-ia perguntar se Deus — no que toca aos instintos — não teria criado o homem inferior aos animais.
Mesmo depois do pecado original, a alma humana sai das mãos de Deus com os princípios sinderéticos em perfeita ordem. Os transcendentais: o bem, o belo, a verdade e o “unum”, lhe são inatos. Por isso, explicanos S. Tomás de Aquino (cf. Suma Teológica, II-II, q. 109, a. 3) que o homem não pecando, ao manter-se na sua inocência, tem a posse da verdade. Nossa inerrância depende da prática do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. O erro se introduz em nossas almas a partir da perda dessa união com Deus; daí observarmos como se multiplicaram ao longo da História filosofias as mais díspares e absurdas, quando, afinal, a Verdade é uma só.
Apavora-nos imaginar o que seria de nós se não houvesse uma cátedra infalível da Verdade, na qual pudéssemos ancorar os nossos pensamentos e decisões. O Filho de Deus encarnado, conhecedor das deficiências intelectuais e volitivas da natureza humana, edificou um farol nesta terra, no âmago de sua Igreja, com a missão de continuamente orientar seus filhos rumo à Verdade: o Papado.
Ao constituir Pedro como fundamento de sua Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo selou seu gesto com uma promessa: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18). Conferia-lhe, assim, o carisma da infalibilidade, para que a Igreja, guiada por Pedro e seus sucessores, nunca possa se desviar da Verdade. E isto vale mais do que todos os instintos da natureza.