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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Nosso Senhor escolheu sofrimento, e não felicidade


Nós também devemos, imitando o Menino Jesus, desejar muito mais com amor o sofrimento do que a felicidade, e devemos ter um amor à dor, um amor às provações, e não devemos nos queixar e revoltar contra Deus quando uma provação nos bate à nossa porta, porque Nosso Senhor nos deu o exemplo que é preferível padecer do que ser glorificado.

Mons João Clá Dias – 2/12/1999

terça-feira, 5 de abril de 2011

Dor e sofrimento

Como se sabe, dos três videntes, dois morreram pouco depois das aparições, conforme a promessa da Santíssima Virgem: Francisco e Jacinta. Ambos deviam ir para o Céu. Antes disso, porém, haveriam de cumprir nesta Terra duas missões diferentes. A de Jacinta era rezar e sofrer pela conversão dos pecadores, enquanto a de Francisco consistia numa reparação ante a tristeza de Nosso Senhor e de Nossa Senhora pelos pecados do mundo, que tinham motivado a mensagem de Fátima.
A importância do sofrimento humano nas grandes obras de Deus
A missão de Jacinta nos revela a necessidade de vítimas expiatórias que contribuíssem com a sua dor e o sacrifício de sua vida — as duas crianças morreram em circunstâncias extraordinariamente difíceis e dolorosas — para que as palavras de Nossa Senhora encontrassem terreno fértil nos corações dos homens, dando todos os frutos por Ela desejados.
Compreende-se, pois, como esse apostolado do sofrimento é verdadeiramente insubstituível, e como abre os caminhos para a Igreja. Todas as grandes obras de Deus, máxime as que tratam da salvação das almas, em geral se fazem com a participação de outras almas que lutaram, sofreram e rezaram para que essas obras de fato se realizassem.
Sempre é preciso a participação do sofrimento humano. Sem ele, nada de grande se faz.
Certa vez, um talentoso pintor expôs um de seus quadros que retratava Nosso Senhor como Bom Pastor batendo à porta de uma choupana. A pintura, tocante e piedosa, atraía muitas atenções. Em determinado momento, um visitante julgou notar um defeito no quadro, e disse ao artista: “O senhor cometeu um erro de execução, pois a porta dessa cabana não tem fechadura”. Sorrindo, o pintor lhe respondeu: “É verdade. Isto, porém, não foi um erro. Esta porta simboliza a porta do coração humano, onde Nosso Senhor bate à porta do coração humano, Nosso Senhor vem bater. Ela não possui fechadura no lado de fora, mas somente no de dentro, para significar que há certos tipos de abertura de alma onde ninguém consegue intervir: ou a alma toma a iniciativa de se abrir, ou permanecerá fechada”.
Ora, o modo de se obter que as almas fechadas se abram é exatamente por meio da oração, dos sacrifícios e das dores que a Providência dispõe em nossas vidas. É por meio do carregar amorosamente a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, compreendendo que assim se cumpre a superior vontade divina. Essas são as almas decisivas na História, e que levam a cabo as grandes obras de Deus.
Claro está que não se trata de um sofrer meramente passivo, mas também de um sofrer ativo. O que significa muitas vezes tomar a iniciativa da luta, rompendo com aqueles que prejudicam nossa alma. Significa arrostar a opinião dos outros, aceitando ser posto em situações difíceis e contrafeitas. Significa, enfim, todo o sofrimento da batalha mais intrépida, mais ousada e mais repleta de determinação. Tudo isso é sofrer, e até sofrer por excelência.
O contrário do mito do ‘final feliz’
Não nos esqueçamos, porém, de que, se todas as formas de sacrifícios são agradáveis a Nossa Senhora, o que mais deseja Ela receber dos homens é virtude. Acima dos sofrimentos, Lhe compraz oferecermos a Ela a retidão e a pureza de nossa alma. Se quisermos de fato pesar nas deliberações da Providência, devemos apresentar a Ela almas contritas e humilhadas, almas que se tornem pequenas diante de Deus, renunciando a toda forma de orgulho, vanglória e vaidade, para se mostrarem diante d’Ele como realmente são. Reconhecendo a sua própria impotência, pelas vias naturais, para corrigir os seus defeitos; e, portanto, implorando o auxílio de Maria, para que Ela por nós interceda e nos alcance a tão esperada conversão.
E isto exatamente nos é dito pelo sacrifício de Jacinta. Devemos, portanto, pedir a ela que nos obtenha de Nossa Senhora esse senso de sofrimento, indispensável para que qualquer católico seja verdadeiramente um fiel generoso e dedicado.
Essa aceitação da cruz é contrária ao mito do homem moderno, que se reflete na mentalidade do ‘final feliz’, segundo a qual tudo é alegria, tudo é luz, e o padecimento é uma espécie de bicho de sete cabeças irrompendo estouvadamente na vida das pessoas.
A verdade é outra: uma existência sem cruzes, pouco vale. São Luís Grignion de Montfort chega mesmo a afirmar que, vendo-se alguém poupado pelos sofrimentos, deve — após judiciosa orientação de seu diretor espiritual – pedi-los a Deus, fazer romarias e rezar com empenho nessa intenção, pois sua salvação eterna pode estar correndo um risco não pequeno.

Mais do que nunca, a necessidade de sacrifícios
 Análogas considerações poderiam ser feitas a propósito da missão de Francisco, isto é, a de reparar os Sacratíssimos Corações de Jesus e de Maria pelos pecados e ofensas contra Eles cometidos na face da Terra.
Ora, de 1917 até nossos dias, a maré montante dos pecados não fez senão crescer de modo incomensurável: pecados individuais, pecados públicos, pecados das nações, pecados das instituições, etc.
Tal constatação nos obriga a concluir que, se a ofensa cresceu, a reparação também se faz mais necessária e mais intensa no que ela tem de mais excelente, ou seja, alimentar em nossas almas a indignação pelos ultrajes que são feitos ao Coração Imaculado de Maria; acrisolar nosso desejo de sermos instrumentos de Nossa Senhora para a implantação de seu Reino sobre a Terra.
Devemos pedir ao Francisco que nos obtenha esse espírito, esse ardoroso anelo de assim reparar o Coração Imaculado de Maria e, por meio d’Ele, o Coração Sagrado de Jesus

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O sofrimento e a felicidade segundo o Mons. João Clá Dias

Ensinamentos e conselhos do Mons.João Clá
Sobre o sofrimento e a felicidade


O gênero humano está sempre à procura da felicidade, mas.... há o inevitável sofrimento! É o sofrimento uma coisa necessária? Se alguém nos dissesse que gosta de sofrer, provavelmente o qualificaríamos como louco. Por quê?

Na abertura da quaresma de 2006, no dia 2 de março, o Mons. João Clá Dias deu uma breve explicação aos jovens Arautos do Evangelho:

“É evidente que cada um ama a sua integridade, ama a realização dos seus planos e de seus sonhos e cada um quer os caminhos livres para chegar até o fim. Mas isto na prática não existe, porque nós estamos num mundo concebido no pecado original, e dentro deste mundo, tudo é sofrimento[1]. Assim também o assinala o grande santo mariano São Luis Maria Grignion de Monfort na sua Carta Circular aos amigos da Cruz.

Antes do pecado original, não havia o sofrimento. Aliás, havia um só, mas que não era um sofrimento, era uma renúncia que a pessoa precisaria fazer, a respeito de considerar-se deus[2] — só essa renúncia. Custava? Custava, não tem dúvida, tanto é que Adão e Eva não aceitaram e acabaram preferindo abraçar a outra via a esta da renúncia — que era o único sofrimento que existia”[3].

No entanto, qual o papel do sofrimento na vida humana? O Mons. João Clá mais uma vez ensina em uma de suas homilias, em 10 de setembro de 2007.

São Paulo diz isso: “procuro completar na minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo” (Cl 1, 24) .

Como se faltasse algo! Mas falta. Falta porque Nosso Senhor não quis sofrer tudo, para deixar uma pontinha para nós. E essa pontinha é simbolizada por essa gotinha d’água que entra no cálice na hora do Ofertório. Quando nós sofremos, quando nós temos uma tentação, uma provação, uma angústia, uma aflição, é uma dádiva de Deus, porque Ele quer que nós contribuamos para aquilo que falta.

É essa pontinha que Ele nos deixa como possibilidade, como meio de contribuir com todo o infinito poder de um só sofrimento d’Ele. A Ele bastava oferecer um ato de vontade! Se Ele oferecesse um piscar de olhos, já era suficiente para pagar todos os pecados da humanidade inteira, ainda que ela fosse infinita, até o fim do mundo. Um só movimento! Ele não quis só isso, Ele quis sofrer tudo que Ele sofreu e quis que nós completássemos em nossa carne o que faltava para Ele sofrer, Ele quis que nós participássemos dessa grandeza.

Então nós, que temos a possibilidade de embelezar o universo com tantas maravilhas, também somos chamados a embelezar o que falta no sofrimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. É uma maravilha! É um Deus tão feito de bondade, um Deus tão extraordinariamente misericordioso que nos chama a essas maravilhas todas.

Saibamos aproveitar o tempo que nos resta para sofrer, para poder participar desse magnífico esplendor do sofrimento d’Ele no Calvário. Nós fazemos planos: “Vou fazer isso, vou realizar aquilo, vou não sei quanto...” Isso não é nada perto da possibilidade de contribuir no sofrimento de Nosso Senhor. Isso é muito mais, muitíssimo mais! E isso é o que Ele põe à nossa disposição”[4].

Aprofundando mais o tema, em sua homilia de 14 de setembro de 2007, festa da exaltação da Santa Cruz, o Mons. João Clá dizia:

“Nós devemos, portanto, ter em relação à cruz um apreço extraordinário e não ficarmos choramingando e querendo escapar de todas as cruzes. Pelo contrário, as cruzes devem ser abraçadas por nós como Nosso Senhor abraçou a sua própria. Fazendo-nos um só com a nossa cruz é que ficamos à altura do nome de cristão, porque cristão é aquele que segue as vias de Nosso Senhor Jesus Cristo e cristão é, portanto, aquele que toma a sua cruz, a oscula, põe nos ombros e a leva até o alto do Calvário. E lá se deixa crucificar.


Assim procedamos em nossa vida privada, em nossa vida de comunidade, em nossa vida espiritual, aceitando todas as cruzes com alegria — não é sem reclamar; sem reclamar já significa alguma coisa — mas a perfeição está em aceitar todas as cruzes com alegria. Que aceitemos as cruzes com alegria é o que a festa da Exaltação da Santa Cruz nos diz no dia de hoje” [5].

Que estes santos ensinamentos possam ajudar a todos os que sofrem a encontrarem alento em meio às agruras da vida e que se sintam reconfortados com o exemplo dAquele que quis sofrer por amor a nós.

[1] Ver Catecismo da Igreja Católica 2448.
[2] Ver CIC 398.
[3] Trecho adaptado para a linguagem escrita, sem revisão do autor e publicado sem conhecimento do mesmo.
[4] Trecho adaptado à linguagem escrita, sem revisão do autor e publicado sem conhecimento do mesmo.
[5] Trecho adaptado à linguagem escrita, sem revisão do autor e publicado sem conhecimento do mesmo.