terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ave Crux!


Nem a imaginação humana, em sua máxima perfeição, nem a angélica, seriam capazes de conceber um meio mais conveniente que a morte de Cristo, pela Cruz, para redimirnos e reparar nossos pecados. Nenhum gênero de pena capital haveria mais execrável que este. Nada há, na ordem do criado, que mais possa nos servir de estímulo à coragem. Pelo fruto da árvore proibida, tornou-se o homem escravo do pecado; deveria, também pelo madeiro, ser-lhe a graça restituída. Por ter sido Cristo elevado na cruz para morrer, purificou o ar como já o fizera com a água, pelo Batismo, e o realizaria com a terra ao ser sepultado (cf. São Tomás, Suma Teológica III, q. 46, a. 4).

Quanta riqueza há, para cumprirmos os desígnios de Deus a nosso respeito, nas considerações sobrenaturais a propósito da Cruz de Cristo! Já na via do Calvário, sustentando-a aos ombros, ao encontrar-se com as mulheres que choravam, Ele lhes disse: “Se tratam assim a madeira verde, o que acontecerá à seca?” (Lc 23, 31). Sim, se Ele — que é Deus, mestre, modelo e mediador supremo — abraçou a Cruz e a pôs às costas, por que nós, pecadores, haveremos de recusá-la? De um ponto de vista meramente especulativo, estamos todos convencidos dessas realidades. Falta-nos passar da teoria à prática, quer dizer, aos casos concretos de nossa vida.

“Se alguém quiser vir após Mim (...) tome a sua cruz e siga-Me” (Mt 16, 24). Ele poderia ter feito um milagre, e até mesmo chamar os Anjos, de forma visível ou invisível, para ajudá-Lo; entretanto, preferiu o auxílio de um Cireneu, um ser humano como nós. Esse feliz Simão mostrou-se um digno seguidor de Jesus, correspondendo àquela palavra do Salvador: “Quem não toma sua cruz e Me segue, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27).

O desejo de cumprir a vontade do Pai está manifesto na via do Calvário — “porque Eu sempre faço o que é do seu agrado” (Jo 8, 29) —, não só porque ali encontramos o Filho de Deus, mas também por vermos nossa humanidade representada pelo Cireneu. Foi ele o primeiro a abraçar a cruz com Cristo, abrindo o caminho para nós.

Entretanto, quão difícil é imitar o Cireneu! “Jesus Cristo tem agora muitos que amam o seu reino celestial, mas poucos que levam a sua cruz”, diz a célebre “Imitação de Cristo”. E continua: “Muitos desejam sua consolação e muito poucos desejam a tribulação. (...) Aqueles, porém, que amam Jesus por amor de Jesus e não por amor de sua própria consolação, tanto O louvam em toda tribulação e angústia de coração, como nas mais doces consolações. E ainda que nunca mais Ele lhes quisesse dar consolação, sempre O louvariam e Lhe dariam graças. (...) Não amam a si mais do que a Cristo aqueles que continuamente pensam em seus proveitos e comodidades?” (Livro II, cap. 11).

Houve alguém que melhor soube carregar a cruz, ultrapassando de modo inimaginável o fervor e devoção do Cirineu. Não hesitou sequer em depararse com seu filho na “Via Crucis” e não O abandonou no Calvário. Foi Maria Santíssima, nossa Co-Redentora. Muito mais que o Cirineu para Jesus é Ela para nós: está sempre a nosso lado ajudando-nos a carregar as nossas cruzes.

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